quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Exótica é a mãe

De todos os elogios o que eu menos gosto é o ‘exótico’. “Nossa, você é tão... exótica”. Isso me mata. É quase tão ruim quanto ‘bonitinho’, que é aquela pessoa que não atingiu o grau esperado de beleza e que ta mais para um feio com estilo. Um ‘bonitinho’ vale mais como uma recompensa pelo esforço da pessoa em fazer bonito.

O mesmo vale para o ‘exótico’. Para mim, uma pessoa exótica é aquela que não chega a ser bonita, mas também não é horrorosa, tem um quê de estranheza e, de certo modo, interessante. Ou seja, esquisita, porém pegável.

O exótico pode até ser visto de uma forma diferente lá na Europa. Para eles ser exótico é ser legal. Mas entrou no território brasileiro, o buraco é mais embaixo. Ficaria arrasada se alguém viesse com um papo desses pro meu lado. Oi? Por um acaso eu tenho um olho na testa? Exótico é o linguado que tem os 2 olhos num lado só, coitado!

Imagine como seria estranho se por acaso resolvêssemos sair por aí soltando todos nossos adjetivos indiscriminadamente de acordo com a nossa vontade. “Se foi bom para mim?! Olha, eu diria: comedido, sóbrio, regular convenientemente... O que significa que não foi ruim, mas também não foi lá essas coisas, e muito menos ‘grande’. E aquilo lá, caso você não tenha percebido, se chama fingir, otário!”

Imagine a quantidade de pessoas frustradas que iria ter por aí. Para quê arriscar? Têm horas que um simples “está linda” e “foi ótimo” já dava pro gasto, não é mesmo?

Um comentário:

Lívia Lamblet disse...

Gente, AMEI o texto!!! Muito fato!!! Hahahahahaha!!